segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O Erotismo, prefácio da obra de Georges Bataille

"Em nossa origem, há passagens do contínuo ao descontínuo ou do descontínuo ao contínuo. Somos seres descontínuos, indivíduos que morrem isoladamente numa aventura ininteligível, mas temos a nostalgia da continuidade perdida. Não aceitamos muito bem a ideia que nos relaciona a uma dualidade de acaso, à individualidade perecível que somos. Ao mesmo tempo que temos o desejo angustiado da duração desse perecimento, ternos a obsessão de uma continuidade primeira que nos une geralmente ao ser. A nostalgia de que falo nada tem a ver com o conhecimento dos dados fundamentais a que aludi. Alguém pode sofrer por não estar no mundo como uma onda perdida na multiplicidade das ondas, que ignora os desdobramentos e as fusões dos seres mais simples. 
(...)
Essencialmente, o domínio do erotismo é o domínio da violência, o domínio da violação. Mas reflitamos sobre as passagens da descontinuidade à continuidade dos seres ínfimos. Se nos referimos à significação desses estados para nós, compreendemos que a separação do ser da descontinuidade é sempre a mais violenta. O mais violento para nós é a morte que, precisamente, nos arranca da obstinação que temos de ver durar o ser descontínuo que nós somos. Desanimamos face à ideia de que a individualidade descontínua que está em nós de repente vai acabar. Não podemos assimilar muito simplesmente os movimentos dos animálculos engajados na reprodução aos do nosso coração, mas, por mais ínfimos que sejam estes seres, não podemos pensar que o ser neles se opera sem violência: é, na sua totalidade, o ser elementar que está em jogo é a passagem da descontinuidade à continuidade. Só a violência pode, assim, fazer tudo vir à tona, a violência e a inominável desordem que lhe está ligada! Sem uma violação do ser constituído — que se constitui na descontinuidade — não podemos imaginar a passagem de um estado a um outro essencialmente distinto (...)
Toda a concretização do erotismo tem por fim atingir o mais íntimo do ser, no ponto em que o coração nos falta. A passagem do estado normal ao de desejo erótico supõe em nós a dissolução relativa do ser constituído na ordem descontínua. O termo dissolução responde à expressão familiar de vida dissoluta, ligada à atividade erótica (...)
A ação decisiva é o desnudamento. A nudez se opõe ao estado fechado, isto é, ao estado de existência descontínua. É um estado de comunicação que revela a busca de uma continuidade possível do ser para além do voltar-se sobre si mesmo. Os corpos se abrem para a continuidade através desses canais secretos que nos dão o sentimento da obscenidade. A obscenidade significa a desordem que perturba um estado dos corpos que estão conformes à posse de si, à posse da individualidade durável e afirmada. Há, ao contrário, desapossamento no jogo dos órgãos que se derramam no renovar da fusão, semelhante ao vaivém das ondas que se penetram e se perdem uma na outra. Esse desapossamento é tão completo que no estado de nudez, que o anuncia, e que é o seu emblema, a maior parte dos seres humanos se esconde, mais ainda se a ação erótica, que acaba de desapossá-los, acompanha a nudez. O desnudar-se, visto nas civilizações onde isso tem um sentido pleno, é, quando não um simulacro, pelo menos uma equivalência sem gravidade da imolação. Na Antiguidade, a destituição (ou a destruição) que funda o erotismo era bastante sensível para justificar uma aproximação do ato de amor e do sacrifício. Quando eu falar do erotismo sagrado, que diz respeito à fusão dos seres com um além da realidade imediata, retomarei o sentido do sacrifício. Mas, desde já, insisto no fato de que o parceiro feminino do erotismo aparecia como a vítima, o masculino como o sacrificador, um e outro, durante a consumação, se perdendo na continuidade estabelecida por um ato inicial de destruição.
(...)
Há na passagem da atitude normal ao desejo uma fascinação fundamental da morte. O que está em jogo no erotismo é sempre uma dissolução das formas constituídas. Digo: a dissolução dessas formas de vida social, regular, que fundam a ordem descontínua das individualidades definidas que nós somos. Mas no erotismo, menos ainda que na reprodução, a vida descontínua não está condenada, apesar de Sade, a desaparecer: ela está somente posta em questão. Ela deve ser incomodada, perturbada ao máximo. Existe uma busca de continuidade, mas em princípio somente se a continuidade, que só a morte dos seres descontínuos estabeleceria definitivamente, não triunfar. Trata-se de introduzir, no interior de um mundo fundado sobre a descontinuidade, toda a continuidade de que este mundo é suscetível (...)
O erotismo dos corações é mais livre. Ele se separa, na aparência, da materialidade do erotismo dos corpos, mas dele procede, não passando, com frequência, de um seu aspecto estabilizado pela afeição recíproca dos amantes. Ele pode se desligar inteiramente daquele, mas isto são exceções, justificadas pela grande diversidade dos seres humanos. Em sua origem, a paixão dos amantes prolonga no campo da simpatia moral a fusão dos corpos entre si. Ela a prolonga ou lhe serve de introdução. Mas, para aquele que a sente, a paixão pode ter um sentido mais violento que o desejo dos corpos. Nunca devemos esquecer que, apesar das promessas de felicidade que a acompanham, ela introduz inicialmente a confusão e a desordem. A paixão venturosa acarreta uma desordem tão violenta que a felicidade em questão, antes de ser uma felicidade cujo gozo é possível, é tão grande que é comparável ao seu oposto, o sofrimento. Sua essência é a substituição de uma descontinuidade persistente por uma continuidade maravilhosa entre dois seres. Mas essa continuidade é sobretudo sensível na angústia, na medida em que ela é inacessível, na medida em que ela é busca na impotência e na agitação. Uma felicidade tranqüila, onde o sentimento de segurança predomina, só tem sentido se encontrar a calma para o longo sofrimento que a precedeu. Pois há para os amantes mais chance de não poder se reencontrar longamente do que gozar de uma contemplação alucinada da continuidade que os une. 
As chances de sofrer são tão grandes que só o sofrimento revela a inteira significação do ser amado. A posse do ser amado não significa a morte; ao contrário, a sua busca implica a morte. Se o amante não pode possuir o ser amado, algumas vezes pensa em matá-lo: muitas vezes ele preferiria matar a perdê-lo. Ele deseja em outros casos sua própria morte. O que está em jogo nessa fúria é o sentimento de uma continuidade possível percebida no ser amado. Ao amante parece que só o ser amado — isto tem por causa correspondências difíceis de definir, acrescentando à possibilidade de união sensual a união dos corações — pode neste mundo realizar o que nossos limites não permitem, a plena fusão de dois seres, a continuidade de dois seres descontínuos. A paixão nos engaja assim no sofrimento, uma vez que ela é no fundo a procura de um impossível e superficialmente, sempre a busca de um acordo dependente de condições aleatórias. Entretanto, ela promete ao sofrimento fundamental uma saída. Nós sofremos com nosso isolamento na individualidade descontínua. A paixão nos repete incessantemente: se você possuísse o ser amado, este coração que a solidão de-, ora formaria um só coração com o do ser amado (...)
O que caracteriza a paixão é um halo de morte. Abaixo dessa violência — à qual responde o sentimento de contínua violação da individualidade descontínua — começa o campo do hábito e do egoísmo a dois, o que quer dizer uma nova forma de descontinuidade. É somente na violação — com estatuto de morte — do isolamento individual que aparece essa imagem do ser amado que tem para o amante o sentido de tudo o que é. O ser amado para o amante é a transparência do mundo. O que transparece no ser amado é aquilo de que falarei daqui a pouco a propósito do erotismo divino ou sagrado. É o ser pleno, ilimitado, que não limita mais a descontinuidade pessoal. É, em síntese, a continuidade do ser percebida como uma libertação a partir do ser do amante. Há uma absurda, uma enorme desordem nessa aparência, mas, através do absurdo, da desordem, do sofrimento, uma verdade de milagre. Nada, no fundo, é ilusório na verdade do amor: o ser amado equivale para o amante, para o amante só, sem dúvida, pouco importa, à verdade do ser. O acaso quer que, através dele, a complexidade do mundo tendo desaparecido, o amante perceba o fundo do ser, a simplicidade do ser (...)."

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Diário de filmes

O Pintrest é um dos meus lugares favoritos da internet para aqueles momentos em que você simplesmente quer rolar a tela infinitamente. Eis que, perambulando pelo site um dia desses, me deparei com um ideia que me capturou totalmente: film journals. Isto é, são diários de filmes nos quais você pode deixar registradas suas visões sobre o que assistiu. A Moleskine, marca de cadernos italiana mundialmente conhecida, produz e comercializa os tais film journals - e eles vem até com listas de festivais de filmes e seções organizadas alfabeticamente para preencher com informações a respeito das obras. Para quem não estiver disposto a comprar o diário original, montar o seu próprio a partir da customização de um caderno pode ser ainda mais divertido. 
Manter um diário do tipo parece ser uma experiência muito libertadora para a criatividade, além de um exercício puta legal para avaliar, após a sessão, tudo o que o filme representou para você - aquilo que mais gostou, o que mais deixou a desejar. E, ainda por cima, ter consigo sempre a memória dos bons dias e dos bons filmes - você pode, nas páginas, anotar a data em assistiu a tal filme e com quem. Eu selecionei algumas páginas de film journals que encontrei para inspirar; segue abaixo.










domingo, 11 de junho de 2017

MOVIE QUOTE: Before Sunrise, 1995


"Acredito que se há algum tipo de Deus, ele não estaria em nenhum de nós... em você ou em mim... mas nesse pequeno espaço entre nós dois. Se há algum tipo de magia nesse mundo, deve estar na busca de compreender alguém, compartilhar algo. Eu sei, é quase impossível de se conseguir, mas... quem realmente se importa? A resposta deve estar na busca."

quinta-feira, 8 de junho de 2017

A Poesia de Pasolini

Descrições que vão de versátil a controverso são geralmente empregadas para delimitar a figura de Pier Paolo Pasolini. Seu caminho na Sétima Arte é mais que conhecido, tendo produzido clássicos polêmicos, contestadores e inquietantes como "O Evangelho Segundo São Mateus" e "Teorema". Colaborou ao lado de Felini no roteiro de ''Noites de Cabíria'' e nos diálogos de ''A Doce Vida'' antes de dar seu primeiro passo solo na direção do filme ''Accattone - Desajuste Social'', em 1961. Pasolini, no entanto, é um homem de mais facetas que a que se deixava entrever por detrás das câmeras: era graduado em Literatura pela Universidade de Bolonha e trabalhou como professor, poeta e novelista. Merece destaque ainda seus estudos para a promoção da língua de onde era natural, o friulano.

O Pasolini escritor é, talvez, um lado do premiado cineasta ainda pouco conhecido no Brasil. Há cerca de dois anos a editora Cosac Naify lançou por aqui uma antologia em edição bilíngue que reúne o trabalho poético "experimentalista" do herdeiro do neo-realismo italiano. Convivem, nas mais de 300 páginas, temas sociais e políticos, aos quais Pasolini, enquanto ativista, era tão ligado, assim como a sensualidade, o amor e a memória - "parte deles em dialeto friulano, pode-se dizer que denotam uma sensibilidade extrema, confessionais e ao mesmo tempo voltados para a temática social.

Deixo aqui registrado um poema do diretor italiano que particularmente me arrebatou e com o qual topei no Escamandro. A tradução é de Cide Piquet e Davi Pessoa.

Versos do testamento
A solidão: é preciso ser muito forte
para amar a solidão; é preciso ter pernas firmes
e uma resistência fora do comum; não se deve arriscar
pegar um resfriado, gripe ou dor de garganta; não se devem temer
assaltantes ou assassinos; há que caminhar
por toda a tarde ou talvez por toda a noite
é preciso saber fazê-lo sem dar-se conta; sentar-se nem pensar;
sobretudo no inverno, com o vento que sopra na grama molhada
e grandes pedras em meio à sujeira úmida e lamacenta;
não existe realmente nenhum conforto, sobre isso não há dúvida,
exceto o de ter pela frente todo um dia e uma noite
sem obrigações ou limites de qualquer espécie.
O sexo é um pretexto. Sejam quais forem os encontros
― e mesmo no inverno, pelas ruas abandonadas ao vento,
ao longo das fileiras de lixo junto aos edifícios distantes,
que são muitos ― eles não passam de momentos da solidão;
mais quente e vivo é o corpo gentil
que exala sêmen e se vai,
mais frio e mortal é o querido deserto ao redor;
é isso o que enche de alegria, como um vento milagroso,
não o sorriso inocente ou a prepotência turva
de quem depois vai embora; ele traz consigo uma juventude
enormemente jovem; e nisso é desumano,
porque não deixa rastros, ou melhor, deixa um único rastro
que é sempre o mesmo em todas as estações.
Um jovem em seus primeiros amores
não é senão a fecundidade do mundo.
É o mundo que chega assim com ele; aparece e desaparece,
como uma forma que muda. Restam intactas todas as coisas,
e você poderia percorrer meia cidade, não voltaria a encontrá-lo;
o ato está cumprido, sua repetição é um rito; pois
a solidão é ainda maior se uma multidão inteira
espera sua vez; cresce de fato o número dos desaparecimentos ―
ir embora é fugir ― e o instante seguinte paira sobre o presente
como um dever; um sacrifício a cumprir como um desejo de morte.
Ao envelhecer, porém, o cansaço começa a se fazer sentir,
sobretudo naquela hora imediatamente após o jantar,
e para você nada mudou; então por um triz você não grita ou chora;
e isso seria enorme se não fosse mesmo apenas cansaço,
e talvez um pouco de fome. Enorme, porque significaria
que o seu desejo de solidão já não poderia ser satisfeito;
e então o que o aguarda, se isto que não se considera solidão
é a verdadeira solidão, aquela que você não pode aceitar?
Não há almoço ou jantar ou satisfação do mundo
que valha uma caminhada sem fim pelas ruas pobres,
onde é preciso ser desgraçado e forte, irmão dos cães.


 

domingo, 5 de fevereiro de 2017

A Trilogia das Cores

A França foi palco de uma das maiores mobilizações da História, que inaugurou a Idade Contemporânea e deixou seu legado tanto na política quanto na cultura do mundo ocidental. Em 1789, a Revolução Francesa hasteou a bandeira nacional sob o lema "liberté, egalité, fraternité". Liberdade, igualdade e fraternidade foram incorporadas como base para a formação de uma nova sociedade e de um novo tempo.

A Liberdade Guiando o Povo, Delacroix
No ano de 1989, em comemoração ao bicentenário da Revolução, o diretor polonês Krzysztof Kieślowski iniciou seu projeto denominado de Trilogia das Cores. Tomando emprestadas as cores da bandeira francesa e as palavras de ordem dos revolucionários, - as primeiras, empregadas na composição do ambiente psicológico e o famigerado lema como ponto de partida para as reflexões propostas - Kieślowski construiu três narrativas indispensáveis para qualquer cinéfilo. Mais que isso, na verdade: a Trilogia é uma obra essencial e inesquecível para quem tem sensibilidade.

Kieślowski, cineasta polonês
Foi nesse mesmo ano de 1989 que o planeta assistiu a queda do Muro de Berlim. Estava-se na iminência de uma mudança radical, que se anunciava com o Outono das Nações - isto é, a queda do comunismo no leste europeu. A Polônia, país de origem do cineasta, foi o palco primeiro de uma série de movimentos que se espalharam também pela Romênia, Hungria, Bulgária, entre outros.
Os anos 1990 trariam consigo a força do neoliberalismo, da globalização e da internet. Um mundo muito distinto daquele que Krzysztof Kieślowski e sua geração conheciam. Nascido na Varsóvia em 1941, o diretor começou sua carreira produzindo documentários focados principalmente na vida dos trabalhadores e soldados. Levou a visão e o aprendizado do período documentarista para os seus primeiros trabalhos com ficção. Depois, mudou os rumos de sua concepção artística, aproximando-se da representação de dilemas existenciais. Um cinema de poucos diálogos e, no entanto, intensa poesia imagética. Sem pedantismos, é claro; a arma de Krzysztof Kieślowski sempre foi seu olhar demasiadamente honesto.

Krzysztof Kieślowski e a atriz Juliette Binoche nas gravações
"Você faz filmes para dar algo ao público, para transportá-lo a outro lugar. Pouco importa se você vai levá-los a um mundo intuitivo ou a um mundo intelectual, pois o campo das superstições, adivinhações, pressentimentos, intuição, sonhos, todos compõem a vida interior de um ser humano, e essa é a condição mais difícil de se filmar. Tenho tentado chegar lá desde o início. Sou aquele que não sabe, aquele que está à procura."  -  Krzysztof Kieślowski


Ordem cronológica da Trilogia das Cores de Kieslowski

A Trilogia das Cores faz parte de sua fase francesa. Num período no qual a ordem que dominava parecia gradualmente desintegrar-se, nada mais adequado que reavaliar as divisas daquele que foi um dos momentos mais profundos da historiografia moderna. Mas o cineasta não objetiva fazer isso através de um ponto de vista coletivo. Ele transporta ao universo subjetivo, individual, os significados e implicações que as palavras liberdade, igualdade e fraternidade podem assumir. Afinal, o que era liberdade, igualdade e fraternidade, as tão célebres e brindadas palavras, à luz de um novo tempo, nos fins do conturbado século XX? Assim, compõe-se uma obra de caráter universal, na medida em que suas personagens experienciam dramas, questionamentos e inquietações inerentes à qualquer vivência humana.
Após o término da Trilogia, Kieślowski anunciou sua aposentadoria. Segundo ele, não havia nada mais a dizer. Pouco menos de dois anos depois o realizador faleceu durante uma cirurgia de coração e foi enterrado no Cemitério Powązki, na Varsóvia. Hoje, quase 21 anos passados desde sua morte, seus filmes, sejam eles da fase francesa ou polonesa, continuam, com seus silêncios, a roubar as palavras de seus espectadores.

TROIS COULEURS: BLEU (A LIBERDADE É AZUL, 1993)


Após um trágico acidente em que morrem seu marido e sua filha, a famosa modelo Julie (Juliette Binoche) decide renunciar sua própria vida. Única sobrevivente da tragédia, a mulher vê-se tendo que lidar com essas perdas e seguir sua vida. Ela se afasta de tudo e todos e assume o anonimato em meio a multidão parisiense. Essa existência fantasmagórica é abandonada quando ela decide se envolver com uma importante obra inacabada de seu marido, um músico de fama internacional, recebendo a encomenda de finalizar uma composição para coro e orquestra que havia sido encomendada ao seu esposo, uma canção pela unificação da Europa. A tarefa a levará a descobrir detalhes da vida do esposo que ela desconhecia, e a se envolver com um outro homem, amigo do casal. O filme foi indicado ao Globo de Ouro e recebeu os prêmios César e o Leão de Ouro no Festival de Veneza.  

TROIS COULEURS: BLANC (A IGUALDADE É BRANCA, 1994)


Neste segundo filme, Krzysztof flerta com o gênero da comédia para apresentar a inusitada história de um casal com diferentes origens. Após se divorciar da mulher que ama, a modelo francesa Dominique (Julie Delpy), o emigrante polonês Karol Karol (Zbigniew Zamachowski) volta a sua terra natal disposto a fazer uma fortuna e poder se vingar-se da ex-esposa. O longa recebeu o Urso de Prata no Festival de Berlim, na categoria melhor diretor.

TROIS COULEURS: ROUGE (A FRATERNIDADE É VERMELHA, 1994)

 
Valentine é uma modelo (Irène Jacob) que, certa noite, atropela um cão. Seguindo o endereço informado em sua coleira, a jovem chega até o dono do animal, um juiz aposentado (Jean-Louis Trintignant), que tem o estranho hábito de ouvir as conversas telefônicas de seus vizinhos. Por trás deste estranho comportamento, está o enigma de um homem cujo motivo vital é tomar posse da intimidade daquelas pessoas e acompanhar passo a passo o desenrolar de seus destinos. Este fato será o ponto de partida para o desenvolvimento de uma singular amizade. A película venceu o Prêmio César, além de ter sido indicada ao Óscar e a Palma de Ouro no Festival de Cannes.